Na noite de ontem, assisti inteiramente as duas partidas semifinais da Copa BH.
Torci muito pela dupla Atletiba, principalmente pela razão de que seria muito, muito bom vê-los na final do torneio.
Felizmente isso aconteceu.
Vi um Coritiba bem armado, com bom toque de bola e com jogadores eficientes.
Vi um Atlético competitivo, marcador, obstinado, veloz, com muita personalidade e com um excelente conjunto.
Penso que o Atlético até pela tradição que já possui na disputa dessa competição- será o campeão; mas não somente por essa razão: vi jovens jogadores vestindo a camisa vermelha e preta mais bonita do mundo com respeito, dignidade e espírito de luta incomuns.
Em certos momentos do embate, os meninos do Atlético me fizeram lembrar é claro, guardadas as devidas proporções – o fabuloso carrossel holandês, que tive o privilégio de ver jogar; por exemplo, em situações de jogo não raras, diga-se- em que cinco ou seis dos nossos atletas acabavam por cercar o jogador do Cruzeiro que estava de posse da bola até recuperarem a redonda, ou, quando não, até forçarem o erro do jogador adversário, matando o início da jogada deles.
Estando um jogador nosso com a posse da bola, vi vários outros meninos também de vermelho e preto se deslocando por todos os espaços do campo, abrindo com isso várias opções de passe e de armação de jogadas.
É uma equipe que joga sempre verticalmente; não se vê toques laterais a não ser quando da saída da bola em nossa defesa, de onde começa essa verticalidade para o lado em que a jogada ofensiva seja mais propícia.
E nem se diga que, por jogarem dessa maneira, nossos garotos não possuem técnica; possuem sim e das melhores só não vê quem não quer ver-.
A verdade é que os talentosos meninos do Cruzeiro, pela visível e inegável eficiência do sistema defensivo de nossa equipe, foram simplesmente impedidos de jogar o seu brilhante futebol, chegando em certas oportunidades a perder a calma e a lucidez.
Estou a pensar, portanto, que os nossos meninos, assim como os do Coritiba, ontem, deram verdadeiros e substanciosos exemplos aos nossos atletas profissionais de como se deve jogar futebol de maneira competitiva e com efetivo comprometimento com os propósitos de um Clube e com os da sua torcida.
Independentemente de que for o campeão entendo, pelo quanto já antes explanei, que seremos nós-, essa garotada merece todo o nosso respeito e admiração, ficando aqui a sugestão para que as Diretorias tanto de Atlético quanto de Coritiba estejam lá nas Alterosas por ocasião da decisão e, se possível -até mesmo para que esse dia histórico, no qual, finalmente, veremos os nossos dois principais Clubes disputando um título de caráter nacional -, para se confraternizarem antes e depois da partida, principalmente para demonstrarem ao Brasil todo de que somos mesmo capazes de repetir a façanha ainda muitas outras vezes e em todos os níveis de nossas competições futebolísticas.
Luta, guerra no bom sentido- e rivalidade, sempre dentro do campo; fora dele, inteligência e trabalho conjunto para a definitiva afirmação do futebol da terra das araucárias.
Valeu, garotada: sejam, pois, vocês, aqueles que, finalmente, fincaram o marco de reversão da inegável tendência de nosso futebol à mediocridade e ao complexo de inferioridad-.
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