Odair orienta jogadores do Athletico-PR
(Foto: Duda Matoso/athletico.com.br)

Como Odair Hellmann transformou o Athletico-PR em apenas seis meses

Quando Odair Hellmann assumiu o Athletico-PR para a temporada de 2026, a missão era clara: recolocar o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro após o retorno à Série A. O desafio era grande. O Furacão vinha de um ano traumático, marcado pelo rebaixamento, mudanças no elenco e desconfiança da torcida.

Athletico-PR vence Mirassol pelo Brasileirão 2026
(Foto: Luis Miguel Ferreira/athletico.com.br)

Pouco mais de seis meses depois, o cenário é completamente diferente. O Athletico-PR encerrou a primeira parte do Campeonato Brasileiro na quarta colocação, com 30 pontos, voltou a sonhar com uma vaga na Libertadores e apresenta um futebol muito mais consistente do que o visto nas últimas temporadas.

A evolução da equipe passa diretamente pelo trabalho de Odair Hellmann. O treinador reorganizou o sistema defensivo, recuperou jogadores que viviam momentos irregulares, deu espaço aos jovens do CT do Caju e ajudou a criar um ambiente competitivo dentro do elenco.

Organização defensiva virou a principal marca do Athletico-PR

A primeira grande mudança promovida por Odair foi na forma como o Athletico-PR passou a se defender. Em vez de um time que alternava bons e maus momentos durante as partidas, o Furacão se tornou uma equipe muito mais organizada sem a bola. A compactação entre defesa e meio-campo reduziu os espaços concedidos aos adversários e aumentou a segurança do sistema defensivo.

Athletico-PR vence Remo fora de casa pelo Brasileirão 2026
(Foto: Luis Miguel Ferreira/athletico.com.br)

Carlos Terán e Aguirre formaram uma dupla sólida na zaga, enquanto Gastón Benavídez se consolidou como um dos melhores laterais-direitos do Campeonato Brasileiro. No gol, Santos voltou a viver grande fase e alcançou mais uma marca histórica com a camisa rubro-negra, reforçando sua importância para o elenco.

Outro aspecto importante foi a proteção exercida pelos volantes. Jogadores como Portilla, Felipinho, Jadson e Luiz Gustavo passaram a participar mais da marcação, dificultando a criação das equipes adversárias.

Essa organização permitiu que o Athletico-PR encerrasse a primeira metade do Brasileirão com uma das melhores defesas da competição, fator determinante para a presença no G4.

Recuperação de jogadores elevou o nível do elenco

Além da evolução coletiva, Odair Hellmann conseguiu recuperar o rendimento de atletas que ainda buscavam afirmação no clube.

Athletico-PR decepciona contra Atlético-MG e sofre derrota
(Foto: Luis Miguel Ferreira/athletico.com.br)

O principal exemplo é Kevin Viveros. A contratação mais cara da história do Athletico-PR correspondeu ao investimento e terminou o primeiro semestre como artilheiro da equipe, assumindo o protagonismo no setor ofensivo.

Steven Mendoza também vive um dos melhores momentos da carreira no futebol brasileiro. O colombiano tornou-se peça indispensável pela intensidade, capacidade de recomposição defensiva e participação direta nos gols do Furacão.

Outro nome que cresceu sob o comando de Odair foi João Cruz. O meia revelado no CT do Caju passou a ter sequência entre os titulares e se transformou em um dos principais responsáveis pela criação das jogadas, liderando a equipe em assistências ao lado de Gastón Benavídez.

Até jogadores que começaram a temporada com menos espaço aproveitaram as oportunidades. Claudinho, por exemplo, assumiu a lateral esquerda após as lesões de Lucas Esquivel e Léo Derik e mostrou personalidade em partidas importantes.

O treinador também conseguiu administrar melhor o desgaste físico do elenco. Mesmo convivendo com algumas lesões ao longo do semestre, o Athletico-PR chegou à pausa da Copa do Mundo competitivo e com a maior parte dos jogadores recuperada para a retomada da temporada.

Base fortalecida e elenco mais competitivo

Outra característica marcante do trabalho de Odair Hellmann foi a confiança nos jovens formados no CT do Caju.

João Cruz se firmou como titular absoluto e uma das revelações do Campeonato Brasileiro. Arthur Dias também conquistou espaço na defesa e passou a atuar com naturalidade mesmo em jogos de alto nível.

Claudinho foi outro atleta que aproveitou as oportunidades e mostrou potencial para disputar posição na equipe principal. Além deles, jogadores como Chiqueti, Riquelme e Luiz Gustavo ganharam minutos importantes ao longo da temporada, fortalecendo a integração entre base e profissional.

Ao mesmo tempo, a diretoria trabalhou para aumentar a competitividade do elenco. A chegada do centroavante Jorge Rivaldo amplia as opções no ataque, enquanto Gilberto reforça a lateral direita e Bruno Baldini surge como aposta para o sistema defensivo.

O clube ainda segue atento ao mercado em busca de um zagueiro e de um atacante de velocidade, demonstrando que o planejamento para o segundo semestre está alinhado com a comissão técnica.

Mais do que contratar, o Athletico-PR busca oferecer a Odair um elenco capaz de manter o nível de desempenho apresentado até aqui.

A evolução da equipe em apenas seis meses mostra que o treinador conseguiu devolver identidade ao Furacão. O time voltou a ser competitivo, organizado e intenso, características que marcaram os melhores momentos do clube na última década.

Ainda há um turno inteiro pela frente e desafios importantes, como a disputa das oitavas de final da Copa do Brasil e a luta por uma vaga na Libertadores. Mas o trabalho desenvolvido até aqui coloca o Athletico-PR em uma posição muito mais sólida do que a imaginada no início da temporada. Se mantiver o padrão apresentado na primeira metade do Brasileirão, o Furacão tem boas condições de transformar a boa campanha em uma classificação para a principal competição do continente em 2027.