Vamos refletir: o Atlético pertence à sua torcida!

Pela primeira vez, me manifesto neste site, o qual acompanho há alguns anos.

Hoje está sendo um dia muito triste para mim. Antes de ir ao estádio, li o pedido de nossa torcida de apenas incentivar o time e deixar as críticas, a quem quer que fossem, de lado. Bati palmas, cantei, incentivei e procurei não xingar ninguém.

Pra minha surpresa, minha maior decepção foi com a nossa própria torcida, fiquei com uma sensação horrível de que nosso time tão querido foi abandonado e que todas as nossas esperanças de respeito e dignidade tenham realmente se dissipado ao longo desse crescimento frenético do nosso clube.

Como o presidente do clube apontou, o futebol vive de resultados, nada mais evidente. O que está me angustiando é que a paixão da torcida deve vir com compreensão. O meu palpite antes do jogo era de 3 a 0. Eu estava eufórico por uma bela vitória.

Vou, enfim, tentar partir pra uma análise, até onde me seja possível. Nosso ex-técnico não vinha bem pelo menos desde o jogo com o Corinthians aqui na Arena, onde, ao meu ver, ele começou a cometer falhas, ou, para não me julgar com o poder de criticá-lo, estava correndo riscos em suas substituições que, na minha matemática, tinham pouca chance de acerto.

Mas eu vi por um outro lado, para não ficar nessa de martirizar alguém, e cheguei a pensar que o time reflete a torcida, o que me fez, em última instância, culpar a nós mesmos. Parece absurdo. Mas eu sou daqueles torcedores que chama os jogadores pelo nome, jogada por jogada, fico com espírito que eles estão me ouvindo e que há uma reciprocidade, por mais absurdo ainda que isso seja. Antes do Náutico, fiquei olhando para os jogadores e, pela primeira vez, percebi que o Galatto era o mais alto do time, no mesmo dia ele falhou feio. O jovem Raul me deu a impressão de se sentir meio perdido com a saída do talentoso Wallyson, a zaga ficou muito confusa, pois o Rodholfo não participou de todos os últimos jogos, o A.C. senti encontrar-se meio inseguro, Rafael Santos ainda não se firmou e sobrava a esperança do Chico vestir com vontade a nossa camisa. Márcio Azevedo é um jogador que agrada a muitos pela sua ousadia, mas vive deslocado, correndo sozinho, fazendo jogadas mirabolantes sem ter companhia. No meio, Rafael Miranda foi conquistando o seu espaço e não pôde estar presente hoje, Valencia volta de uma contusão e, obviamente, o seu emocional sente falta do Ferreira, Marcinho que já vinha sendo muito cobrado, sofreu a pressão da vinda de Paulo Baier, Julio dos Santos é um jogador muito tático, ele desempenha uma boa função apenas quando as coisas se encontram a seu favor, sua improvisação é limitada. E o nosso He-Man não é milagreiro, Rafael Moura demonstrou sua personalidade e conquistou a torcida, mas convenhamos, ele tem seu limite, é um termômetro do time, necessita de uma boa atuação geral pra poder fazer a sua parte. Os outros atacantes e outros jogadores da categoria de base não me arrisco a opinar, pois é tudo muito novo pra eles e é aí que a responsabilidade do técnico se torna mais cobrada. O Geninho pode realmente ter sido o mais culpado pela falta de sucesso rubro-negro nos últimos jogos, mas foi a torcida quem o chamou e, mesmo errando, ganhando um altíssimo salário, era ele que estava ali pro que desse e viesse. Não vou lamentar a sua saída, mesmo porque torcedores mais experientes me levaram a crer que sua hora realmente havia chegado. Mas minha decepção com a torcida que, humilhada, passou a humilhar nossos jogadores, jogando em casa, ficou entalada no peito: ‘tristeeezaaa, tristeeezaaa… ‘ ao invés de vergonha. Os jogadores sentem muito isso, por mais que tentem disfarçar para eles mesmos. Foi lamentável a atuação da torcida, que mesmo que estivesse com razão, mesmo que a rádio falasse que a nossa fanática torcida tenha feito a sua parte, o meu pedido de coração aqui vai para aqueles que acreditam no time, acreditam que os jogadores possam entrar em campo se sentindo em casa, que a pressão possa ser aliviada pelo nosso carinho, que consigam deixar suas ambições de lado para poderem jogar por amor ao clube e por aqueles que os assistem.

Isso será fruto de muito trabalho. Então, vamos torcer para que o elenco que está para se organizar se comprometa a trabalhar sério, para que possamos viver todo esse sentimento em campo e espantar esse clichê de que nosso time é apenas uma ponte oportunista para que poucos ‘chupinhem’ da nossa estrutura para se destacar. Vamos conquistar nosso respeito e dignidade merecidos, pois o furacão tem uma torcida de verdade, mesmo que ela às vezes se esqueça disso. Deixemos que a mídia faça o papel dela, fale o que quiser falar, pois nós somos o que somos e não podemos deixar que ela nos abale com suas políticas interesseiras.

Meu último pedido vai para os torcedores, que, mesmo extremamente passionais, não digam as coisas da boca pra fora, me doeu o coração ouvir: segunda divisão, em coro. Poxa, ninguém é burro, paremos pra pensar o tanto que passamos no ano passado, o Vasco, foi para a segunda, nós ficamos. Vamos entregar tudo na louca assim? Não podemos deixar de acreditar que o nosso time depende de nós, vamos com calma e observar com carinho o nosso clube nessa situação delicada.