9 set 2009 - 8h34

Estádios da Copa no Brasil preparam novas coberturas

Quando sediou os jogos da Copa do Mundo em 2006, o estádio Allianz Arena, em Munique, mostrou a versatilidade da cobertura recoberta por uma geomembrana translúcida que recebia jatos de luzes que mudavam de cor conforme o time de futebol que entrava em campo. A disputa pelos variados tipos de materiais a serem empregados pelas empresas nas reformas dos estádios brasileiros que receberão os jogos de futebol da Copa do Mundo de 2014 já começou.

Com o cartão postal da Copa passada nas mãos, os representantes da cadeia de produção de PVC tentam convencer os arquitetos sobre as vantagens da resina. “Os estádios passarão por reformas. A Fifa obriga que os assentos tenham cobertura contra chuva e sol. O evento é uma oportunidade para o investimento no uso do PVC”, diz o diretor-executivo do Instituto do PVC, Miguel Bahiense Neto.

Na Copa da Alemanha, cinco dos sete estádios construídos ou reformados, incluindo a Allianz Arena, utilizaram coberturas plásticas de PVC. Sem mencionar nomes, Bahiense Neto diz que três dos estádios brasileiros poderão repetir o exemplo na Alemanha. Nesta semana, os autores dos projetos das 12 sedes da Copa 2014 estarão em Salvador para discutir os principais problemas e eventuais materiais a serem usados nas reformas dos estádios.

Uma radiografia da indústria de transformação desta resina encomendado pelo Instituto do PVC à consultoria especializada Maxiquim mostrou que os perfis de PVC, usados em forros, portas e janelas, foi o segmento de mercado que mais cresceu na última década. Em 1997, o segmento consumia 3,5% da demanda total de PVC, número que passou para 15,7% em 2008, segundo informações levantadas pela Maxiquim.

A maior cobertura com uso de PVC no país teve sua conclusão no início do ano. O Anhembi, o centro de convenções em São Paulo, substituiu a estrutura metálica por uma cobertura com membranas de PVC, forrando uma área de mais de 70 mil metros quadrados que consumiu 5 toneladas de resinas.

A questão nem é tanto a quantidade de PVC que as obras de reformas dos estádios vão consumir, mas principalmente o apelo que os projetos poderão proporcionar na divulgação das virtudes do material empregado. Segundo Bahiense Neto, as vantagens estão ligadas desde a facilidade na limpeza e durabilidade. “Na comparação com o policarbonato, ele possui maior flexibilidade”, diz. “O PVC é mais barato.”

Além do PVC nas coberturas dos estádios, a Copa vai melhorar o entorno dos estádios, com investimentos na área de saneamento básico, o principal segmento de consumo da resina, lembra Bahiense Neto. Embora tenha perdido participação na última década, o segmento de tubos e conexões continua com a maior fatia, representando 44,2% do total do consumo de PVC. Em 1997, ele correspondia a 54,4%. Hoje, são 301 empresas transformadoras de PVC, que empregam 65 mil pessoas, o dobro de 10 anos antes.

Até julho, o consumo de resinas de PVC caiu 10%. A projeção é que o setor volte a crescer no segundo semestre, fazendo com que o recuo fique em 6% ao longo de 2009, chegando a 940 mil toneladas, segundo dados do Instituto do PVC. Em 2008, o consumo aparente foi de 1,04 milhão de toneladas.

O ano passado foi atípico em razão da forte importação, que cresceu 106% em relação ao ano anterior, para 365 mil toneladas. A brasileira Braskem e a belga Solvay são as duas fabricantes da matéria-prima, produzindo quase 700 mil toneladas de PVC por ano. Elas possuem projetos de investimentos em expansão da capacidade. Em dezembro, vence a medida antidumping – de 16% e 18% – contra a resina importada dos EUA e México.

Fonte: Valor Online



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