8 out 2005 - 23h05

Diego: "Quero dar a resposta em campo"

Há uma semana afastado dos campos, o goleiro Diego não vê a hora de poder voltar a fazer o que mais gosta: jogar futebol. No primeiro dia do mês de outubro, num treinamento que era para ser somente recreativo, ele sofreu uma lesão na mão. Dagoberto chutou e a bola bateu no dedo anelar da mão direita. Imediatamente, Diego percebeu que a situação era grave. Não conseguiu tirar a luva e precisou que o dedo fosse recolocado no lugar. O diagnóstico indicou o rompimento dos ligamentos do dedo e afetou a articulação. Desde então, ele trocou os treinos técnicos por sessões de fisioterapia e muito treinamento físico para não perder o condicionamento. Para a sorte do torcedor atleticano, Tiago Cardoso, o reserva imediato, entrou bem no time e fez dois bons jogos, mostrando que o clube está bem servido na posição. Nas suas últimas partidas, Diego foi criticado por alguns cronistas e torcedores, que apontaram falhas do goleiro atleticano. Alguns chegaram até a insinuar que a lesão foi forjada para disfarçar um afastamento motivado na verdade por ordem técnica. Em entrevista exclusiva à Furacao.com, Diego demonstra espanto com essas suposições. Abrindo o jogo, ele fala sobre críticas a suas atuações, comenta sobre a fama de "marqueteiro" e revela ficar chateado com ataques pessoais. Apesar disso, admite que pode melhorar em alguns quesitos e promete se dedicar ao máximo para voltar o quanto antes ao time. Confira a entrevista:

Como aconteceu o lance em que você se contundiu?
Foi um lance rotineiro, que acontece em todo treinamento. Foi uma fatalidade, num "rachão" que a gente disputou no último sábado (dia 1°/10/05). Eu até tinha pedido para atuar na linha, porque eu gosto de jogar na linha nos rachões, mas o treinador preferiu me deixar no gol mesmo. Aí o Dagoberto deu um chute de fora da área. Como eu estava posicionado mais para a minha esquerda, e o chute veio na direita, eu tive que voltar rápido para a direita, e pelo ângulo que a minha mão estava posicionada, a bola acabou acertando meu dedo de frente.

Nessa hora você já percebeu que a contusão era séria?
Sim, pois eu senti uma dor muito forte, cheguei a chorar de dor, e percebi que meu dedo havia saído do lugar, que o problema era sério. O dedo inchou bastante, ficou desfigurado. Eu não conseguia nem retirar a luva. Fui levado até o Departamento Médico do CT e usaram uma tesoura pra cortar a luva. Eu recebi umas três ou quatro injeções de anestesia e o Dr. Daniel (Tenius, médico do clube) puxou o dedo para o lugar de novo. Depois, ele me levou ao hospital para realizar os exames, tirar radiografia, até pra ver se havia fratura. E aí nos exames ele constatou que não quebrou o dedo, mas a lesão acabou sendo mais grave ainda do que se houvesse só a fratura, pois rompeu os ligamentos e comprometeu a articulação. No ano passado, naquele jogo contra o Paraná, eu quebrei o mesmo dedo só que da mão esquerda, e com dez dias eu já estava recuperado.

Como os outros jogadores reagiram na hora?
Até foi engraçado que havia outros jogadores no Departamento Médico, como o Douglas, e quando ele viu o meu dedo ele chegou a dar um grito de susto. Aí os outros jogadores reprimiram ele, dizendo que eu já estava assustado e que ele estava me assustando mais ainda (risos). Depois o Almir (Domingues, preparador de goleiros) até comentou comigo que ele ficou bastante assustado, chegou a ter vontade de vomitar quando viu meu dedo, de tão feio que estava.

"Eu ainda sinto bastante dor, da mesma intensidade
de quando o dedo foi recolocado no lugar"

E a rotina de recuperação?
Eu não posso treinar, mesmo porque estou sem poder dobrar o dedo. Estou fazendo fisioterapia normalmente, tenho feito laser e gelo pra tirar a dor e ajudar a desinchar. Ultra-som eu ainda não posso fazer.

Já há alguma previsão de quando você pode voltar a jogar?
Os médicos disseram que vai depender de como o meu corpo vai reagir. Eu ainda sinto bastante dor, da mesma intensidade de quando o dedo foi recolocado no lugar. Mas o pessoal acredita que dentro de mais duas semanas eu já posso voltar aos trabalhos com bola.

Poucas vezes você ficou de fora do time por períodos grandes. Como está sendo acompanhar o time pela TV, ou mesmo na arquibancada?
Eu fico muito nervoso por não poder ajudar. Eu não gosto de ficar fora nem de treinamento, imagine de jogo. Tenho muita vontade de estar jogando, essa situação pra mim é muito ruim. Até pelas minhas características de ser uma pessoa ativa, de querer participar, colaborar, é muito ruim ficar de fora, de onde eu só posso mandar vibrações positivas pro time. Contra o Flamengo, eu fui ao estádio, fiquei muito nervoso por não poder participar. Quando eu vou jogar, fica só a ansiedade para a partida começar. Mas assistindo, me sinto um torcedor, que fica nervoso assistindo às partidas. Eu procuro até participar de alguma forma, vou até o vestiário, rezo junto com o grupo, falo bastante, é minha maneira de agir e vou continuar agindo assim. Desejo sempre boa sorte para o Tiago, mando uma força pra ele, digo pra ficar concentrado pra fazer o trabalho dele, assim como ele faz comigo também.

Além da contusão na mão contra o Paraná, você também teve um episódio que poderia te deixar de fora do time que foi quando do nascimento do seu segundo filho, que foi complicado e mesmo assim você continuou jogando, não quis "largar o osso". Teve também a partida contra o Santos, na Libertadores, que você disputou mesmo com conjuntivite…
Até me causa espanto que tem pessoas falando que eu teria simulado essa contusão, alguns jornalistas escrevendo que acham "estranho". Eu quis jogar até mesmo quando meu filho estava entre a vida e a morte, os médicos quase que nos desenganando. Eu tinha sido liberado pela diretoria para ir até Caxias do Sul, onde meu filho estava, mas preferi continuar treinando e jogando porque lá eu não teria o que fazer, era pra consolar e ser consolado. Então, eu preferi ficar para tentar ajudar o clube de alguma forma. Prevaleceu o profissionalismo, então imagina se eu iria simular uma contusão para ficar de fora de um jogo? Eu fico muito chateado com isso.

Aproveitando este assunto, o colunista Augusto Mafuz, da Tribuna do Paraná, escreveu que "Há quem garanta que Diego foi afastado por deficiência técnica". Como você recebe isso?
Eu acho que a crítica sempre vai existir na carreira de um atleta de futebol. Quando a crítica é positiva, o jogador que quer melhorar vai levar em consideração. Eu sempre considero as críticas mesmo porque quero estar sempre melhorando. Quando a crítica é construtiva, vem de pessoas que sabem, sem maldade, ela é muito válida, é aceita, assim como eu aceito os elogios também, que são o reconhecimento de um trabalho. Agora quando a crítica já vai para um lado da maldade, do lado pessoal, para atingir a pessoa, para falar situações que não têm nada a ver, é horrível. E esse colunista aí, como é que é o nome dele mesmo?

Augusto Mafuz.
Pois é, esse colunista, ele pode ter a preferência dele em relação a goleiros, pode achar qual é o melhor goleiro para o time, e eu vou respeitar sempre. Assim como eu também tenho o direito de escolher como meu advogado uma pessoa de confiança minha, que eu ache competente. Mas quando parte para o lado pessoal, para insinuações deste tipo e, como vocês podem ver, completamente sem sentido, isso magoa bastante. E o pior é que a gente sabe que esse jornalista tem uma briga com o Petraglia. Mas quem sou eu perto do presidente Petraglia? É só ver o que o Petraglia fez, foi o maior presidente da história do clube, colocou o Atlético entre os maiores do mundo, e tem jornalista que ainda o ataca dessa maneira sucessiva. Então, não dá nem pra levar em consideração.

"Quando parte para o lado pessoal, magoa bastante"

Esse tipo de crítica constante te chateia?
Chateia, claro. Quando falaram que eu estava falhando, eu cheguei a perguntar para o Almir o que ele achava, e ele, que é meu preparador, me disse que não houve falha. Eu fico querendo entender o porquê desses comentários, essa coisa mais para o lado pessoal. Tem coisas que acabam inclusive influenciando o torcedor, passando uma imagem ruim. Mas a minha resposta é mostrar dentro de campo, é aí que vou procurar provar meu valor. Eu aceito os comentários sobre o que eu faço dentro de campo. Tenho que aceitar até porque é a profissão de vocês falarem a respeito disso. Mas tem uma minoria que a gente sente que faz perseguição mesmo, e é chato lidar com isso. E é uma minoria mesmo, porque aqui no Paraná tem muitos profissionais competentes, imparciais, que fazem o certo que é analisar aquilo que acontece na partida e passar pro torcedor de uma forma isenta. A minoria é que costuma fazer colocações maldosas, ataques pessoais, para denegrir a imagem do atleta. Isso a gente reprova e essas pessoas nunca terão o meu respeito.

Você costuma avaliar o seu próprio rendimento?
Eu costumo dizer que eu sou o meu maior crítico. Sou uma pessoa que quero sempre melhorar. Eu não quero estacionar, ficar parado. Quero sempre crescer na minha profissão, principalmente em cima das deficiências que eu tenho. E como eu posso crescer? Justamente com as pessoas apontando onde que eu estou errando, para que eu possa trabalhar e tentar melhorar nisso. Mas quando fazem isso sem maldade, é claro. Eu me cobro muito para melhorar, até para que, um dia, essas pessoas que criticam estejam falando bem.

O torcedor faz uma avaliação pessoal, manifestando-se quando acha que o goleiro falhou. Por outro lado, você trabalha diariamente com profissionais da posição e que te transmitem um entendimento mais técnico. O que o seu preparador de goleiros vem dizendo sobre seu rendimento?
Eu tive uma fase muito importante na minha carreira que foi a Copa Libertadores, onde tudo deu certo, em especial nos dois jogos contra o Chivas e também contra o São Paulo no Beira-Rio. Acho que eu estive muito bem nestas partidas. E eu acredito que as pessoas estavam esperando que eu mantivesse esse rendimento, que eu seguisse no mesmo ritmo. No Brasileiro eu até tive atuações no mesmo nível, como contra o Flamengo (Nota: jogo pelo primeiro turno, 1 a 1), por exemplo, que fui bastante elogiado. Houve outros jogos em que eu não ajudei, eu reconheço isso. Ou seja, eu não fiz grandes defesas. Mas se você for analisar, as bolas que entraram tinham um certo grau de dificuldade para qualquer goleiro defender. Então, foram dois, três ou até quatro jogos em que as coisas não estavam dando certo. Mas não só pra mim, não estavam dando certo para o time todo também. Eu analisei junto com o Almir e o Privati esses gols e a conclusão é de que todas eram bolas difíceis de se defender. Até sei que, em outros momentos, bolas parecidas eu cheguei a defender. Mas a equipe inteira estava numa fase ruim, as coisas não estavam dando certo, e não estavam dando certo pra mim também.

Você acha que a posição de goleiro é mais cobrada do que as demais?
É uma profissão que exige muita responsabilidade, muito profissionalismo, e eu adoro lidar com isso. Eu acho maravilhoso. Eu amo o que faço, e gosto de saber que eu sou aquela pessoa que eu não posso falhar, pois se eu falhar as pessoas vão falar mesmo, já que quando isso acontece é porque nós sofremos gol. Claro que críticas construtivas são para a gente melhorar, para crescer em alguns aspectos. Mas tem comentários que são maldade pura. Por exemplo, em um gol de falta que eu sofri recentemente, teve programa de televisão que colocou no fundo um barulho de frango quando eu sofri o gol de falta do Internacional. Eu nunca tinha visto isso, uma bola forte, por cima da barreira, no canto contrário, eu estava cobrindo o "canto do goleiro", como a gente chama. Eu nunca tinha visto esse tipo de lance ser considerado frango. Então, são pessoas que não entendem do assunto. Claro que eu vou aceitar quando disserem que eu poderia ter defendido, pois eu estou aí pra isso, vou sempre tentar ver por esse lado, ou seja, o que eu poderia ter feito para defender aquela bola. Mas chegar a esse ponto de dizer que um gol desses é frango, acho que é maldade pura ou falta de capacidade de avaliar o futebol. Até acho que deveriam se especializar um pouco mais para não falar bobagem.

"Houve outros jogos em que eu não ajudei, eu reconheço isso"

Aproveitando sobre esta questão de algumas pessoas não entenderem um conhecimento mais apurado, já aconteceu o contrário, ou seja, você ser supervalorizado em uma bola que você não considerava tão difícil?
Já aconteceu. Às vezes tu faz algumas defesas que até certo ponto são normais e as pessoas te dão prêmios de melhor jogador em campo. Como também já aconteceu de, em defesas mais difíceis, as pessoas não terem percebido. Então tem isso, só as pessoas que acompanham um trabalho de goleiro que podem criticar com mais embasamento. Até tem um profissional da imprensa que eu admiro muito, que é o Raul Plasmann, que era goleiro, e ele sempre faz críticas com propriedade, inclusive quanto a mim. Ele fala com fundamento porque já foi goleiro, foi um especialista. E quando ele fizer as críticas eu vou aceitar com a maior atenção até pra ver no que eu posso melhorar, porque ele tem conhecimento pra criticar. Eu sei muito bem diferenciar isso, quando as pessoas criticam de uma forma construtiva, e quando as pessoas são maldosas, pra me acertar. Só não entendo o porquê isso acontece. Quem sabe um dia essas pessoas não conversam comigo pessoalmente pra me explicar certas coisas. Mas essas pessoas, quando estão na minha frente, não falam nada disso. Só falam quando estão por trás de um microfone, um gravador, ou um papel e uma caneta. Assim são corajosos pra falar, mas isso pra mim não é coragem, é medo.

Uma crítica que o acompanhou no Atlético é no quesito "saída do gol"; o pessoal cobrava para você sair mais. O que os profissionais da área, seus preparadores de goleiro, te disseram a respeito?
Isso é uma exigência que até eu mesmo coloquei para mim, melhorar neste aspecto. Ou seja, treinar mais, pois a gente estava treinando pouco isso. E saída do gol é tempo de bola, é confiança, coragem de arriscar, pois você se expõe quando sai. Mas eu assumo responsabilidade, se eu puder sair eu vou sair. Vou errar eventualmente, sou um ser humano e estou exposto ao erro como todo mundo. Mas procurei melhorar muito até pelas críticas, porque foram críticas construtivas, apontadas com fundamento, então eu sempre levei isso em consideração. Levei pro lado positivo, quis melhorar. Até acho que melhorei muito neste aspecto, em especial na Libertadores e alguns jogos do Brasileiro. E antes de me contundir eu estava treinando bastante as saídas do gol para me aperfeiçoar e melhorar o rendimento.

Tecnicamente, qual é a orientação sobre a máxima "bola na pequena área é do goleiro"?
O posicionamento do goleiro depende das orientações técnicas que são passadas e também das informações que a gente tem sobre o adversário. Tem certos atletas que a gente sabe que treinam jogadas para mandar a bola no primeiro pau, então tenho que estar mais atento na primeira trave. Só que às vezes o jogador inverte, joga no segundo pau, e aí vai ficar difícil de chegar na segunda trave. E a pequena área, ela tem uma área considerável, então não é toda jogada que vai ser do goleiro. Além do que, pra ganhar o lance, você tem que se projetar, tem que chegar antes do adversário, e o que acontece é que às vezes não dá tempo disso acontecer.

Um fator que as pessoas costumam verificar no goleiro é a sorte. Você acha que existe isso mesmo?
Eu até costumo brincar com o professor Almir, eu chegou no treino e falo: "hoje vamos treinar sorte" (risos). Ou seja, tem que trabalhar, tem que se esforçar pra crescer. A sorte, pra mim, está aliada ao trabalho. Claro que nem sempre as coisas acontecem da forma que a gente quer, mesmo porque tem outros atletas "treinando sorte" em seus clubes, e tem a competência de obter resultados também.

"Não vou mudar porque essa é a educação que eu tive da minha mãe, do meu pai, da esposa do meu pai, isso vem de berço"

Os goleiros têm reclamado muito do modelo de bola que vem sendo utilizada nas competições oficiais. Você concorda?
Essa bola é horrível. Os goleiros estão reclamando porque ela favorece muito o chutador. Esse Brasileiro, se for analisar, é o campeonato que mais tem havido gol bonito, em chutes de fora da área, cobranças de falta, pois essa bola é mais lisa, mais rápida, dificulta bastante pro goleiro.

Uma crítica que alguns costumam colocar a seu respeito é que você seria "marqueteiro". O que você acha disso?
Eu gostaria de saber a definição de marketing para esse pessoal. Se fazer marketing é ser educado, ser atencioso, tentar ser uma pessoa legal, ser uma pessoa que dá um sorriso para o torcedor, que sempre que é convocado pela imprensa tentar atender, dando declarações da maneira que eu sinto e de uma forma completa… No Rio Grande do Sul, eu sempre fui considerado uma pessoa educada, atenciosa, e aqui alguns dizem que isso é marketing. Tem certas pessoas que levam pra esse outro lado, que eu não entendo. Se isso é marketing, podem continuar me chamando de marqueteiro, pois eu vou continuar sendo assim. Vou continuar retribuindo o carinho do torcedor, quando gritarem meu nome eu vou dar aquele aceno, aquele sorriso, quando me pedirem um autógrafo eu vou atender com toda paciência, porque eu valorizo muito isso. Valorizo o torcedor que gasta seu dinheiro, que se sacrifica, para poder ir ao jogo, eu acho que ele merece essa retribuição. Não vou mudar porque essa é a educação que eu tive da minha mãe, do meu pai, da esposa do meu pai, isso vem de berço. Quem me conhece sabe que eu não estou fazendo média, que eu sou sincero, que se eu dou um sorriso é porque eu sinto vontade de dar um sorriso. Vou continuar tendo a mesma conduta, ser uma pessoa honesta, e trabalhar pra honrar a camiseta que eu estou vestindo hoje que é a do Atlético, que eu valorizo muito. Tenho muito carinho pelo Atlético por tudo que fizeram por mim, respeitando os torcedores e sabendo que eles estão torcendo por mim, torcendo pra que eu me recupere, que eu volte, e quero dar muitas alegrias ainda a eles.

Após a Libertadores, o Atlético chegou a subir bastante no Brasileiro, e depois atravessou uma fase ruim. Essa queda tem alguma explicação?
Talvez a explicação seja até fisiológica. Durante a Libertadores, a gente trabalhou de uma maneira bem forte, e sabíamos que uma hora a gente poderia sentir. Isso pode ter pesado. Outro fator importante é que tivemos vários desfalques durante esta má-fase. Jogadores que vinham atuando bem se contundiram. Os jogadores que entraram têm qualidade, mas são jogadores de menor experiência e estavam sem ritmo. Agora, atletas como Aloísio, Dagoberto, Alan Bahia, Lima, estão voltando e com certeza isso tende a fazer o time crescer mesmo.

O que você pode dizer sobre os atuais goleiros do Atlético, incluindo o Cléber, que está emprestado ao Santa Cruz?
O Cléber já estava no Atlético antes de eu chegar, vinha tendo boas apresentações, soube aceitar naturalmente ficar na reserva e continuou trabalhando. Agora está tendo a oportunidade de atuar como titular no Santa Cruz, e está tendo boas apresentações, está sendo bastante elogiado. Eu tive a oportunidade de ver algumas partidas e ele tem se saído bem porque tem qualidade e é um menino que se esforça bastante. Quando voltar ao Atlético e tiver a oportunidade de jogar vai apresentar um bom trabalho. Assim como o Tiago, que está tendo chance de jogar e vem se saindo muito bem, porque o mesmo trabalho que eu faço com o Almir e com o Privati é o trabalho que ele faz. É um menino também, tem 21 anos, vai crescer muito, melhorar muito ainda. É trabalhador, esforçado, humilde, vai ajudar o Atlético sempre que for preciso.

"São quatro goleiros muito bons, que têm condições de jogar em qualquer equipe"

É o teu parceiro de quarto nas concentrações atualmente?
Sim, os goleiros costumam ficar juntos na concentração, e atualmente eu concentro com o Tiago. Voltando aos goleiros, temos o Vinicius, que também tem muita qualidade. Nós tivemos a oportunidade de acompanhar o quanto ele evoluiu com os trabalhos no profissional. É outro goleiro que tem um potencial muito grande, um futuro promissor. Sempre que tiverem oportunidade vão dar conta do recado, porque estão bem preparados. Tem ainda o Andrey, que fez sua vida inteira no Grêmio, teve doze ou treze anos lá, foi contratado pelo Atlético esse ano e tem uma qualidade muito grande. É um atleta alto, tem 1,95m e isso também ajuda bastante em determinados lances. Também vimos ele crescer bastante. São quatro goleiros muito bons, que têm condições de jogar em qualquer equipe.

Você estava liderando a Bola de Prata da Placar neste Campeonato Brasileiro, deu uma caída e agora fica sem poder atuar. Você ainda pretende brigar por este prêmio?
Eu vou ser bem sincero, esse é um prêmio que eu conquistei em 2002 (pelo Juventude) e fiquei "viciado" nele. Eu quero muito conquistar de novo. No ano passado, estive muito próximo, perdi por poucos décimos para o Rogério Ceni. Eu vou buscar, vou correr atrás, tenho chances ainda porque a diferença ainda não está tão grande para o primeiro colocado. Até porque eu liderei por bastante tempo e com uma vantagem boa, por isso ainda dá pra brigar. Apesar de minha a média ter baixado, ainda tenho grande expectativa de brigar por este prêmio.

Você pensa em jogar pela Seleção Brasileira?
Acho que Seleção é conseqüência de um grande trabalho no seu clube. E esse grande trabalho é disputar títulos. Acho que se o Atlético estiver disputando títulos, não só eu, como todos os jogadores poderemos ser lembrados e convocados para a Seleção. A participação do Atlético na Libertadores desse ano, no Brasileiro do ano passado, até o Paranaense que nós ganhamos nesse ano, uma vitória muito importante sobre o Coritiba na final, isso tudo faz com que as pessoas observem bem nosso trabalho. Eu fico muito feliz por ter tido destaque, por terem comentado a meu respeito, ou seja, os cronistas de fora do Paraná, até mesmo porque tem uma repercussão maior em termos de mídia. Então, a chance de a gente ser lembrado é estar disputando títulos. Quem sabe ano que vem, se a gente estiver disputando uma competição sul-americana – que é o nosso objetivo, e nós temos essa capacidade – podemos sonhar com isso, não só eu como todos os jogadores do Atlético.

A cada fim de campeonato, nós temos acompanhado sondagens, tanto por parte do exterior quanto de outros times brasileiros. Isso mexe com você, você pensa em sair do Atlético, enfim, o que você planeja pro teu futuro?
Tive propostas que chegaram pra mim, ou melhor, para o meu pai, que é quem cuida dos meus negócios. E houve propostas também diretamente ao Atlético, que a diretoria me repassou. Mas o meu pensamento é de ficar no Atlético nesse ano e também no ano que vem, que é quando termina o meu contrato. Eu fico feliz que o meu trabalho seja reconhecido, até com clubes do Brasil e do exterior querendo contar com o meu trabalho, apesar de às vezes não ser muito reconhecido aqui no Paraná. Sinal de que eu faço um bom trabalho no Atlético. Meu planejamento é de ficar no Atlético, sonho ainda em conquistar mais títulos pelo Atlético, até mesmo pra retribuir àquelas pessoas que gostam de mim, que me apóiam. O carinho que eu recebo da torcida é muito grande e eu quero retribuir dentro de campo.



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